How to conjugate the verb Think

Think, Thought… as in following examples:

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Liberdade, capacetes, cintos-de-segurança e vacinas II

Sei o que disse. Sei os argumentos que usei. Vejo agora, após demorada reflexão, que afinal estava completamente errado!

Completamente errado porque, afinal, os argumentos que eu esgrimia a favor da obrigatoriedade do uso do capacete são precisamente os mesmos que me levam agora a defender, não apenas a não utilização, mas sim a total proibição do uso de capacetes!!!

Primeiro que tudo, temos de ter a liberdade de fazer escolhas! Se queremos andar sem capacete, ninguém nos pode obrigar!

Se os tipos que fazem uma modalidade perigosa como o alpinismo não são obrigados a usar, porque é que nós, ciclistas, teríamos de andar com uma porcaria na cabeça que, para além de fazer calor, é foleiro e deixa um tipo todo despenteado???

Depois há a tal questão dos custos sociais da coisa: quem usa capacete acaba por dar o (mau) exemplo aos outros. Os outros incluem aqueles que ponderam iniciar-se no ciclismo e, ao ver malta com capacete, perdem a vontade! Estes são os tais (milhares) que vão ficar obesos e empanturrar o sistema público de saúde… pago por nós todos!

Estudo revelou que fazer um homem perder peso é muito mais difícil do que parece

Eu não quero pagar bandas gástricas a tipos que podiam muito bem estar a andar de bicicleta em vez de ficarem em casa a comer foie gras!!!

Sobre algumas questões científicas relacionadas com o uso do capacete. O uso do capacete induz, de facto, uma falsa sensação de segurança.  Só isso pode explicar que haja tipos a dar mais de trezentos à hora em cima de uma moto: seguramente pensam que, se caírem, não lhes acontece nada!

A falsa sensação de segurança que o capacete dá é tal que eu, há uns anos, até vi um tipo com capacete a chamar nomes a um porteiro do Kremlin… Pobre diabo!…

A estória das razias. É bem verdade. Também andei a tirar umas medidas, a olho, mas com muita atenção, e vejo que quando ando de capacete, os tipos dos carros é sempre “à tangente”. Se vou sem capacete… é metro e meio de distância “como manda a lei” e ainda me cumprimentam com acenos simpáticos.

E depois há o tal exemplo dos países civilizados (Dinamarca, Holanda e outros que tais). Nós sempre tivemos a mania de que somos muito avançados. Isso tem a ver com a estória das Descobertas e com sabermos que os Lusitanos já faziam pão, azeite e vinho, enquanto os povos do norte da Europa pensavam que a Terra era plana (alguns ainda pensam) e só comiam bagas silvestres e algum coelho que apanhassem distraído…

Tínhamos nessa altura algum avanço em relação a esses tipos, mas a verdade é que nós continuamos a andar de carro e de moto eles andam de bicicleta… Essa é que essa!

Quanto à pouca necessidade de usar capacete. A “senhora do Seixal” é a prova viva de que um tipo pode levar com um carro em cima e o capacete não faz falta nenhuma! Palavras para quê? Está viva ou não está?ciclista-seixal

O estudo de Nova Iorque é outra falácia. Nada me diz, primeiro, que os tipos todos que morreram teriam sobrevivido se usassem capacete.

Por outro lado, todos os que deixavam de usar a bicicleta se tivessem de usar capacete iam ficar obesos e… já sabemos resto!

É por tudo isto que, para evitar os maus exemplos, e para promover o uso da bicicleta pelas massas, o Estado tem de intervir e legislar por forma a banir o capacete e dessa forma combater o flagelo da obesidade!

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E, claro, por uma questão de coerência, o uso de capacete para motos deverá também ser banido ou, pelo menos, fortemente desincentivado.

Pode ser que haja um ou outro tipo que vá com a mona ao chão e já não volte a andar de bicicleta ou a fazer contas de somar com mais de dois algarismos, mas isso… isso são minudências! O que interessa é o resultado final: a criação da Massa Crítica!

E é por tudo isto que eu hoje digo: Pela Massa Crítica, proíba-se o capacete!

Toys’Я’us vai fechar… e?

toyrus-logo Li nos últimos dias vários artigos sobre a falência iminente da Toys”R”Us. Alguns desses artigos falavam sobre as origens desta cadeia de venda de brinquedos, em 1957, e a visão do seu criador, Charles Lazarus, entretanto falecido.

Parece que a visão do Charles Lazarus era criar brinquedos baratos para todos.

Baratos mas, com um mínimo de qualidade, atrevo-me a supor.

Entretanto o que é que vemos quando entramos hoje em dia num Toys”R”Us? Brinquedos feitos de plástico da pior qualidade possível, mas a custarem, apesar disso, bastante dinheiro!

Há por ali brinquedos que se avariam mal saem da caixa. Há brinquedos cujo plástico é rijo e quebradiço, partindo-se à primeira vez que caem no chão… e tornando-se até algo perigosos, devido às farpas de plástico!

iron-manSão caros, apenas porque as grandes marcas que desenham os personagens que dão origem aos brinquedos, como a Marvel ou a Disney, para citar apenas dois, se fazem cobrar a peso de ouro pelos direitos de imagem desses heróis.

A verdade é que todos esses brinquedos são feitos na China, com plástico ordinário e mão de obra barata e há para ali muito brinquedo cujo custo de produção é seguramente inferior ao de um alguidar de plástico!!!

Os “carrinhos”, da Hot Wheels e quejandos, esses, parecem coisas velhas mal saem da caixa, com rodas de plástico que nem a direito andam… Ah que saudades dos carrinhos da Dinky Toys e da Corgi Toys com que eu brincava. As rodas eram metálicas e tinham pneus de borracha! Alguns até tinham portas e capot de abrir. Agora são vendidos como sendo “brinquedos de colecção para adultos”…

Então e que dizer das pistas de carros SCX, uma cópia descarada da boa Scalextric? O nome SCX, numa aparente modernização do original, seria “talvez” para nos fazer crer que eram as duas a mesma coisa?…SCX-e-scalextrix-logoEm suma, quando agora compramos brinquedos para os miúdos, estamos a comprar porcarias que, na maior parte dos casos, deviam custar metade do que custam, e que passada meia dúzia de dias estão postas de lado porque estão estragadas e prontas para ir para o lixo.

Era esta a visão do homem? Não creio. Deixou-se vergar perante o peso das marcas criadoras de super-heróis e princesas encantadas. E pelo caminho, foram esmagando o pequeno comércio e também quem fazia brinquedos com alguma qualidade.

Tenho pena dos que agora vão ficar sem emprego, evidentemente, mas ao saber que o “Mega” Toys”R”Us vai fechar, não posso deixar de sentir uma espécie de alívio…

Obrigado Manuel Reis

Quando olhei para as notícias hoje de manhã, foi com imensa tristeza que tomei conhecimento da morte do Manuel Reis.

Tive o privilégio de o ter conhecido pessoalmente. Nunca o conheci intimamente, apenas de conversas fugidias aqui e ali. Ora no Frágil do Bairro Alto ou no Papa Açorda, e depois também no Lux Frágil e no Bica do Sapato.

Sempre que me lembro do Manuel Reis, lembro-me das noites do Frágil, no Bairro Alto, e dos aniversários loucos onde os empregados circulavam com bandejas cheias, porque essas festas eram para o Manuel uma ocasião para a malta se divertir, e não para estar ao balcão a acotovelar-se por causa de um copo.

Entrar no Frágil era (às vezes) uma odisseia. O conseguir passar pela Margarida é motivo de muitas histórias. A minha, normalmente, passava por esperar que o Álvaro, do outro lado da rua, piscasse o olho e desse a sua aprovação. E também houve aquela vez em que, depois de uma nega da Guida, apareceu o Manuel Reis e me disse para entrar. Nunca mais me esqueci.

Fui lendo algumas notícias sobre o Manuel Reis ao longo do dia. E também alguns comentários.

A malta mais nova, pelo que vejo, não tem realmente a noção do impacto que o Frágil teve na noite de Lisboa. Não sabem, não têm a menor ideia, do que era o Bairro Alto antes do Frágil e depois do Frágil.

É verdade que no antes já havia o Bar Artis. E depois o Rock House e o Juke Box. Todos tiveram o seu papel na transformação do Bairro. Tal como Os Três Pastorinhos e o Nova Cafe. E também, mais tarde, o Targus, o Café Suave e vários outros.

Mas, sem sombra de dúvida, o Frágil teve um papel especial. Pela música, pelo ambiente, por toda uma aura de glamour underground, até aí inexistente.

Porque, convém lembrar que o que havia antes disto tudo era um Bairro Alto de tascas, tascas manhosas, não as da moda, das casas de fado e das putas no ataque.

E fora do Bairro Alto, o que havia eram as “boites”. Sítios onde o código de roupa implicava ir “bem vestido” e o que se ouvia era, basicamente, música comercial. Algum rock, muita pop e muito disco dance.

E no Frágil? No Frágil ouvia-se música “diferente”. Também pop e rock, mas sempre numa onda muito alternativa. E havia as decorações, que iam mudando. Desde o início, com os azulejos da padaria que era o estabelecimento anterior e passando depois por mil e uma atmosferas, criadas por artistas e arquitectos convidados.

E… toda uma clientela de artistas, os “conhecidos” e os “artistas malucos”, arquitectos, jornalistas, escritores, wannabes, modelos e… malta que gosta de um copo e boa onda.

E por trás disto tudo, havia o Manuel Reis. Um homem discreto, quase invisível.

Mais tarde em 1998, o Frágil fica para trás e abre o Lux Frágil, em Santa Apolónia, junto ao rio. Onde a boa onda continua, até aos dias de hoje.

Por tudo isto, e por muito mais que fica por dizer… Obrigado Manuel Reis.

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Manuel Reis com a nossa querida Yen Sung, em 2001. Copiada do Público. Cortesia do blogue da fotógrafa Luísa Ferreira LUÍSA FERREIRA